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Uma proposta viável de inclusão escolar
Considerações baseadas em doze anos de inclusão de surdos, cegos, baixa visão e surdocegos, com alunos sem estas deficiências, na Escola Comunitária Nova Esperança , mantida pela Fundação do Caminho , em convênio com a Prefeitura de Alagoinhas.
O modelo vigente
O modelo vigente, no Brasil e no Mundo, são educandários separados para surdos e cegos.
A nova proposta de inclusão
O governo brasileiro, junto com instituições internacionais, vem fazendo campanha para a inclusão das pessoas deficientes nas escolas próximas de onde moram. Este novo modelo representa uma guinada de 180 graus em relação ao modelo existente.
1. A inclusão de surdos e cegos surte melhores resultados em escolas que funcionam em tempo integral .
A experiência da FC mostra que a inclusão de surdos, cegos e baixa visão, na mesma sala de aula com alunos sem estas deficiências, é proveitosa para ambas as partes. Porém, os alunos surdos dependem de tradução da aula em LIBRAS, e os cegos precisam da transcrição em Braille. Assim , esses alunos, no contra-turno, precisam retomar as aulas com professores especializados para atendê-los. Sem este complemento, os alunos surdos e cegos não conseguem acompanhar as aulas inclusivas no mesmo ritmo dos alunos videntes e ouvintes.
Portanto, a inclusão escolar supõe escolas que funcionem em tempo integral, manhã e tarde. Embora a Constituição Brasileira recomende este regime para todas as escolas, pouquíssimas o adotam atualmente. Por outro lado, não existem professores qualificados para implementar o novo modelo. Precisaria de milhares de profissionais especializados em LIBRAS e/ou em BRAILLE etc, o que exigiria anos de vultuoso investimento público.
2. O novo modelo onera muito os cofres públicos .
Quando alunos surdos e cegos estão numa mesma unidade escolar, há necessidade de 1 profissional qualificado em educação inclusiva para uma média de 5 a 10 alunos. Quando estão espalhados em diferentes escolas, há poucos alunos deficientes por escola, em séries diferentes. Para incluí-los, precisaria de quase um professor-intérprete para cada aluno! O custo torna-se proibitivo. Mesmo países ricos, com alto investimento na educação pública, não arcam com tamanha despesa.
3. Isolados, como ínfima minoria, surdos e cegos não conseguem superar a exclusão .
Esta dificuldade pode ser comparada ao conceito de massa crítica . Refere-se ao peso dos números. Na Escola Comunitária, os surdos, cegos e baixa visão, juntos, perfazem mais de um terço de todos os alunos. Deste modo, marcam presença. Sentem-se em casa, apoiados pela existência de outros alunos deficientes. Nem a Direção, nem o Corpo Docente, nem os demais alunos, podem ignorá-los. Quando necessário, podem se reunir para reivindicar os seus direitos.
No modelo proposto, esta vantagem se perde. Espalhados em diversos educandários, os alunos surdos e cegos sempre serão uma pequena minoria. A tendência será ignorá-los. Estarão marginalizados, excluídos de fato, e haverá probabilidade de evasão escolar.
Uma Escola Inclusiva por município
Por isso, sugerimos um outro modelo para a inclusão escolar de surdos e cegos, que elimina todos os inconvenientes acima referidos:
Uma escola inclusiva por município
Em cada município , ( ou grupo de municípios, se a população for pequena), precisa de uma escola inclusiva, em tempo integral onde todos os surdos, cegos, e baixa visão estudem juntos com alunos videntes e ouvintes.
O resultado será uma inclusão escolar efetiva e viável, com bons resultados para todos.
Atualizado 03/09/2008 |
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