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A ECNE
A Escola Comunitária Nova Esperança é municipal, mediante convênio entre a Fundação do Caminho, proprietária do imóvel, e a Prefeitura Municipal de Alagoinhas, que fornece corpo docente e funcionários de Apoio. Atualmente, a ECNE dispõe de 29 salas de aula.
A ECNE funciona em tempo integral. Nela estudam alunos cegos, surdos, surdocegos, alunos socialmente vulneráveis e alunos sem estas deficiências.
A ECNE começou em 1986, a partir de classes de reforço escolar oferecidas pela Comunidade Taizé. As classes para alunos surdos começaram em 1996, a partir de um trabalho com crianças surdas, iniciado pela mesma Comunidade. A partir do ano 2000, a pedido da CBM, a ECNE abriu classes também para alunos cegos. (A CBM é uma ONG internacional especializada no auxílio a cegos. Ela ajudou a ECNE a construir salas de aula para os surdos, e para organizar seminários de Educação Inclusiva).
As classes para surdocegos começaram em 2002, porque foram descobertas três crianças nesta situação em Alagoinhas. A ECNE é a primeira escola no Nordeste com classes para surdocegos.
Para fundamentar este trabalho pioneiro no Nordeste, a FC organizou o 1° Congresso de Surdocegueira na Bahia, em 2002, com a participação de trezentas pessoas da área educacional e social.
Além das pessoas com deficiência, a ECNE atende também crianças em vulnerabilidade pessoal e social.
A ECNE funciona em tempo integral, das 7.30 até às 16.40 horas, oferecendo diariamente a todos os alunos o café da manhã e o almoço. Em 2008, há 290 alunos. Destes, 11 são cegos, 10 têm com baixa visão, 73 são surdos, 4 são surdocegos e 18 estão em situação de vulnerabilidade social. No contra-turno, todos os alunos têm aulas de reforço, atividades artísticas, musicais e esportivas, artesanato, computação e aulas de cidadania. Para os alunos maiores, a FC oferece também, cursos profissionalizantes em oficinas apropriadas.
A ECNE faz um trabalho pioneiro de inclusão. Sua experiência mostra que é benéfico o convívio com e sem deficiência num mesmo espaço físico, reduzindo, inclusive, o alto índice de agressividade das crianças e jovens deste bairro carente.
Parcerias
Em 2008, a Prefeitura mantém 34 professoras, 1 diretora, 2 vice-diretoras, 4 serventes e 2 cozinheiras. Destas, 19 receberam da Fundação do Caminho, formação em Educação Inclusiva.
Além desses profissionais da Prefeitura, a Fundação do Caminho mantém 1 psicopedagoga, 2 Coordenadoras, 4 professores de música, 1 de esporte e 6 instrutores de cursos profissionalizantes. 
Para d esempenhar os seus trabalhos, a FC conta também com a valiosa contribuição de jovens voluntários europeus, que chegam a Alagoinhas através de contatos com a Comunidade Taizé.
Entidades nacionais, como o Grupo Brasil de Apoio ao Deficiente Múltiplo Sensorial, também têm dado sua contribuição voluntária para garantir um bom desempenho pedagógico da ECNE.
O CAP (Centro de Atendimento Pedagógico para Cegos), o Instituto dos Cegos e o CIP de Salvador, vêm realizando seminários para formar e orientar as professoras dos alunos cegos.
Com o apoio da CBM, a Fundação do Caminho realiza para todo o corpo docente da ECNE, quatro seminários anuais, voltados para a Educação Inclusiva.
A Fundação do Caminho participa do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e colabora regularmente com ele.
O atendimento em tempo integral comprova sua eficácia.
Como é sabido, há no Brasil dois sistemas escolares, o particular e o público, sendo que a qualidade do sistema público deixa a desejar. O sistema público abrange toda a população de baixa renda que não pode pagar as mensalidades do ensino particular. Este duplo sistema educa cional vem transmitindo a desigualdade social de geração em geração, fazendo do Brasil um dos países com maior desigualdade no mundo. Para romper este círculo vicioso da pobreza e da desigualdade social, a ECNE procura dar uma boa escolarização a crianças de um bairro carente, numa escola gratuita. O primeiro lugar conquistado este ano no conceito IDEB, é um significativo resultado deste esforço.
Através do atendimento integral, as crianças ficam mais tempo num ambiente propício para o aprendizado, pois em casa muitos pais e mães não puderam freqüentar a escola e portanto não podem ajudar seus filhos com trabalhos escolares, e nem sempre entendem a necessidade de dedicar tempo a isto. O atendimento em tempo integral também tem a vantagem de proporcionar diariamente uma alimentação de boa qualidade a todas as crianças. A ECNE espera contribuir para a inserção destas crianças carentes na sociedade ativa, em melhores condições para competir no mercado de trabalho e se tornar cidadãos conscientes dos seus direitos e deveres.
atualizado 22/08/2008
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